Deusa mulher, mãe terra, Gandarela, o feminino relicário da vida, águas puras, cristalinas, Ganda bela, Gandarela, ave mulher voa sobre as serras, dança no dourado dos campos Gandarela, o seu nome soprado aos ventos sobre as árvores, peixes mágicos, aves de cores, animais de silêncios, mantra de seres, assovio dos sacis, caipora, Iara mãe d’agua, fios de correntezas límpidas costuram a serra, cachoeiras musicais caem em notas graves ou agudas, sóis maiores nos céus e interiores navegam como grandes veleiros os dias, Gandarela, ventre sagrado das águas, sinuosas curvas, femininas formas ancestrais, doces olhos de mulher, seixos rolados nos fundos dos vales, cangas e flores nos altos da serra ameaçada, Gandarela, quem te salvará da sanha dos malditos, a violência dos homens sobre corpo de tanta beleza, sobre a sua pele sã tocada pelas estrelas no tapete lácteo das noites, Ganda bela, a lua antecipa seu sorriso à luz dourada das manhãs e das tardes, os nevoeiros e neblinas véus de mistérios, ocultam, mostram, revelam seus caminhos aos olhos dos que te amam, Ganda flor rupestre, terna olha a cidade distante que não sabe de seus encantos, de seu beijo úmido e aquífero nascentes brotam, ventre generoso, Deva de seios dadivosos, mais que bela, encantada mulher, canta a vida, Ganda, Gandarela.      Texto: Wanderlei Pinheiro

Ficha técnica:

Fotografia: Robson de Oliveira

 

Localização: Serra da Gandarela

Modelo: Thalita Guimarães

Make: Samia Cristina

Produção e arte: Carla Caetano

Texto: Wanderlei Pinheiro

Assistente: Ivone Guimarães

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